Case Pegada de Biodiversidade de 1kWh gerado por Pequena Central Hidrilétrica no sul do Brasil
A Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) subsidia uma Linha de Crédito Verde para o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), da qual faz parte o projeto de implementação de uma pequena central hidrelétrica (PCH) a fio d’água a ser instalada em uma queda d´água no Rio Ijuí (RS).
A PCH prevê uma potência nominal de 23,6 MW e energia assegurada de 13,28 MW, além de um ciclo de vida de 30 anos e a empresa proprietária atua no mercado de geração de energia elétrica, comércio atacadista de energia e na construção de barragens para geração de energia elétrica.
Sobre a PCH do Rio Ijuí
Para esta implementação, é previsto o uso de uma área de 42 hectares, sendo 24,47 hectares de calha natural do Rio Ijuí e 17,52 hectares de área a ser alagada em função da implementação da barragem (destes, 11 hectares correspondem a vegetação e os demais correspondem a lavouras para produção de soja, milho ou trigo).
Atuação da I Care Brasil no projeto
O objetivo da parceria da I Care Brasil no projeto foi calcular a pegada da biodiversidade correspondente à geração de 1kWh de energia proveniente da PCH, indicando quantitativamente ao BRDE e a AFD se este impactaria negativamente a diversidade biológica da região, e, consequentemente, ao ODS 15 – Vida Terrestre.
Importante destacar que o resultado deste diagnóstico pode ser, inclusive, utilizado como requisito para a permanência do projeto na linha de crédito subsidiada pela AFD.
O que é pegada de biodiversidade?

A pegada da biodiversidade é a quantificação de como um dado empreendimento, produto, site ou portfólio de investimentos impacta a diversidade biológica em decorrência de suas operações. Combina dados de entrada (chamados de entradas ambientais) com fatores de impacto e resulta em um valor final mensurável e quantificado, o qual deve ser uma métrica internacionalmente representativa e reconhecida, como, por exemplo, o Km².MSA (Abundância Média de Espécies).
Metodologia utilizada pela I Care Brasil
O cálculo de pegada foi realizado com a utilização da ferramenta da I Care Product Biodiversity Footprint (PBF), considerando como escopo os impactos locais, à montante e à jusante da cadeia de valor, bem como as diferentes etapas do ciclo de vida do empreendimento: construção, utilização/manutenção e descomissionamento.
A metodologia combina avaliação de ciclo de vida (ACV) com uma análise ecológica, considerando parâmetros de pressão referentes às cinco principais pressões sobre a biodiversidade:
- Perda de habitat
- Mudança climática
- Superexploração de espécies
- Poluição
- Espécies exóticas invasora
O diagnóstico quantitativo possibilitou uma análise mais granular das práticas adotadas pela empresa com identificação das principais fontes de pressão sobre a biodiversidade e serviu de subsídio para a indicação de recomendações base para a elaboração de um Plano de Ação em Biodiversidade que promova práticas mais positivas para a natureza. O estudo foi concluído em julho de 2023.
Pegada de biodiversidade e o futuro
A mensuração de impactos das empresas sobre a biodiversidade é a base para a elaboração de estratégias robustas na temática, bem como para a implementação do framework da Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD). Ao quantificar e mitigar os impactos negativos nas diferentes formas de vida, as organizações estão protegendo ecossistemas vitais dos quais, muitas vezes, seus modelos de negócio são dependentes e atendendo às crescentes demandas do mercado financeiro e contribuindo para o atingimento do ODS15 – Vida Terrestre.
Quer saber mais sobre a integração da pegada de biodiversidade em estratégias empresariais e aplicação do TNFD ? Entre em contato com a I Care Brasil.
Data: 04/09/2023
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